Discrimição da mulher

Como já se sabe, a exclusão social da mulher é secular e diferenciada, baseada na visão bipolar do
sexo, sendo que a reprodução da exclusão social feminina se estabelece mediante a força secular do
patriarcado, que, no dizer de Heleieth Saffioti (1987), é o mais antigo sistema de dominação-
exploração. Segundo a autora,

(…) o patriarcado não se resume a um sistema de dominação, moldado pela
ideologia machista. Mais do que isto, ele é também um sistema de exploração.
Enquanto a dominação pode, para efeitos de análise, ser situada essencialmente
nos campos político e ideológico, a exploração diz respeito diretamente ao terreno
econômico. (…) Desta sorte, fica patente a dupla dimensão do patriarcado: a
dominação e a exploração.” (Saffioti, 1987: 50-51).

ao olharmos para a história da humanidade será fundamental observarmos que as
relações entre homens e mulheres, ao longo dos séculos, mantêm um caráter excludente, visto
serem construídas mediante a bipolarização. Os ideólogos burgueses destacaram sua inclinação
natural para o lar e a educação das crianças. Assim sendo, se atribui à mulher a condição de inferior;
restringindo-se a sua ação à vida privada, a casa, à cozinha, à Igreja e à escola (dos filhos). Ainda
que se proclame à mudança nas relações entre homens e mulheres, ela ainda é inexpressiva, pois, a
nosso ver, a maioria dos formadores de opinião continua a reproduzir e perpetrar a doutrina da
submissão feminina à superioridade masculina. Como podemos notar, esses limites da ação feminina
imputados à mulher reforçam a base da exclusão do feminino na sociedade. Reverter esse quadro em tomado longo         tempo das feministas, as quais se empenham em elaborar conceitos de eqüidade
entre os sexos e, assim, propiciar à mulher um ambiente menos propenso à exclusão.

E essa triste condição que a sociedade dos homens esforça-se para garantir à mulher pode ser muito
bem vista no campo do trabalho. Neste, a exclusão da mulher não encontra explicação nas
conjunturas econômicas, pois suas raízes estão fincadas em matrizes diversificadas, em diversos
sistemas de dominação-exploração que Saffioti (1987) identificou como sendo o patriarcado, o
racismo e o capitalismo. Tais sistemas encontram-se fundidos de modo simbiótico e não pacífico,
sendo, devido à contradição que marca esta simbiose,
“(…) impossível isolar a responsabilidade de cada um dos sistemas de dominação
(…) pelas discriminações diariamente praticadas contra mulheres. (…) Se o
patriarcado e o racismo contêm elementos capazes de permitir a maximização dos
lucros capitalistas, estes mesmos elementos contêm o consumo das classes
trabalhadoras dentro de limites bastante estreitos.” (Saffioti, 1987: 62).

Athenea Digital – num. 8: 27-49 (otoño 2005)

postado por Paulo

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~ por 1efecep em 11 de novembro de 2010.

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